Não há palavras, nem explicação, para tudo quanto sinto.
Privilegiada, neste tempo e espaço onde nasci e vivo, poupada até agora pelas dores mais amargas da vida, rica de filhos e de afectos, não faz sentido este vazio que me possui, dia após dia, noite após noite, feitos de lembranças vagas, muita saudade e quase eternas desesperanças de um dia voltares.
Sinto que algures no caminho da vida, um cruzamento mal iluminado levou-me a afastar-te da minha vida, convencida de que outro alguém me esperava. E esperava, e levou-me, e gastou todas as minhas ilusões e perdeu-me pelo caminho. E hoje, se pudesse voltar atrás, teria feito tudo do mesmo modo. Mas não queria ter-te perdido.
E sei que o tempo não recua, e sei como é pobre tudo quanto te poderia oferecer hoje, talvez sómente toda a minha essência de mulher, mas como isso é vago e tão pouco útil à vida intensa, à vida plena que te sinto a viver!
Longe, separada por um simples gesto de comunicação auditiva, ou de um olhar cruzado em milésimas de segundos, rapidamente calcado no mais profundo do meu ser, como se sentir a tua falta me fosse esmagar... ou retirar toda a energia que me mantem de pé ... é preciso calar, sufocar o coração, e seguir em frente. Porque outros dependem de mim e já não me pertenço. Resta-me, por ora, ir mantendo este silêncio onde o coração se esconde e os sonhos mais bonitos são adiados no futuro que não possuo. Tudo isto é tão sem sentido ... Tudo isto é tão inútil. E tudo isto é tão profundo, intenso e tão nada.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Hoje é o 10º aniversário dos dois RR mais pequenos
Foram 10 longos anos, muito esforçados e cheios de momentos a raiar a loucura. Também 10 anos de muito crescimento. Deles e nosso. E uma nova etapa se avizinha agora. A da adolescência. Aliada à concretização de velhos anseios da mãe e de novos desafios colocados ao pai. Como será daqui a 10 anos? Importa saber por onde será o caminho. Porque define o rumo de cada dia e dá força para vencer as horas amargas. Que também pertencem ao presente. Um desejo se impõe, fazer de cada dia deles, e nosso, um hino à alegria. Sejamos nós capazes de a sentir, entre esta permanente/sufocante vontade de chorar por tudo o que parece não querer voltar a nascer. Seja como for, de que modo for, continuarei a semear a minha horta, a tocar a terra e a sentir a vida pulsar, mesmo quando tudo parecer desabar sob o peso da tristeza ... que parece nunca mais ter fim.
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